Balcão de um bar de vinhos com três garrafas de espumante num balde dourado e três taças servidas, duas de branco e uma de rosé. À direita, prateleiras cheias de garrafas; ao fundo, uma mulher de preto prova um tinto diante da janela, com os arranha-céus de Xangai ao longe.

China bebe menos vinho, mas espumantes avançam nas importações

O consumo de vinho caiu na China em 2025 e as importações continuaram recuando em 2026. Mas existe um detalhe interessante nesse cenário: os espumantes estão seguindo na direção contrária.

Leandro Ribeiro

· 5 min de leitura

O consumo de vinho caiu na China em 2025 e as importações continuaram recuando em 2026. Mas existe um detalhe interessante nesse cenário: os espumantes estão seguindo na direção contrária.

Durante anos, a China foi apontada como um dos mercados mais promissores do mundo do vinho.

O país cresceu rapidamente, atraiu produtores de diferentes regiões e se tornou especialmente importante para grandes nomes do vinho internacional.

Nos últimos anos, porém, esse cenário mudou.

A China está consumindo menos vinho.

E os números mais recentes mostram que essa transformação continua.

O consumo realmente caiu

Segundo a Organização Internacional da Vinha e do Vinho, a OIV, o consumo de vinho na China ficou em aproximadamente 4,8 milhões de hectolitros em 2025.

Foi uma queda de 13% em relação a 2024.

A própria OIV aponta que a redução da demanda chinesa faz parte de um movimento que começou há alguns anos e envolve mudanças econômicas e também no comportamento dos consumidores.

Ou seja, não estamos falando apenas de uma oscilação de um único ano.

O mercado chinês de vinho ficou menor.

Em 2026, as importações também recuaram

Os dados do primeiro semestre de 2026 ajudam a entender como esse movimento continua.

Entre janeiro e junho, a China importou aproximadamente 101,4 milhões de litros de vinho.

O volume foi 11% menor do que no mesmo período de 2025.

Em dinheiro, porém, a história foi diferente.

As importações movimentaram cerca de US$ 716 milhões, praticamente o mesmo nível do ano anterior, com crescimento de aproximadamente 0,8% em valor.

O preço médio das importações chegou a US$ 7,07 por litro, alta de 13,3%.

Mas existe um cuidado importante aqui.

Isso não significa necessariamente que o consumidor chinês esteja pagando mais pelo vinho.

Os dados mostram o valor médio das importações. Segundo a análise do China Briefing, parte desse aumento está relacionada à redução da participação dos vinhos mais baratos no conjunto importado.

E aqui aparece a surpresa: os espumantes cresceram

Enquanto o mercado de vinhos importados encolheu em volume, os espumantes fizeram o movimento contrário.

No primeiro semestre de 2026, a China importou aproximadamente 4,4 milhões de litros de espumantes.

O crescimento foi de 16,3% em volume comparado ao mesmo período do ano anterior.

Em valor, o avanço foi ainda maior.

As importações de espumantes chegaram a cerca de US$ 39,1 milhões, crescimento de 20,9%.

Entre as principais categorias apresentadas nos dados, o espumante foi a única que cresceu tanto em volume quanto em valor.

E os vinhos tradicionais?

O comportamento foi bem diferente.

Os vinhos engarrafados em recipientes de até dois litros, categoria que concentra boa parte dos vinhos encontrados normalmente no varejo, tiveram queda de 14,6% em volume.

Foram aproximadamente 59,6 milhões de litros importados no primeiro semestre.

Já os vinhos a granel tiveram queda de 5,6% em volume e uma redução ainda maior em valor.

Isso mostra que a mudança não acontece da mesma maneira em todas as categorias.

O mercado está menor, mas alguns estilos estão encontrando espaço dentro dele.

Os vinhos brancos também merecem atenção

Aqui precisamos separar tendência de dado comprovado.

Não existe, nos números apresentados, um percentual dizendo que todos os vinhos brancos cresceram 59% ou algo semelhante.

O que existe é um caso bastante interessante.

A China aumentou em 59,9% o volume de vinhos importados da Nova Zelândia no primeiro semestre de 2026.

E aproximadamente 88% dos vinhos neozelandeses enviados ao mercado chinês são brancos, principalmente Sauvignon Blanc.

É um sinal importante da abertura de espaço para vinhos brancos frescos, mas não significa que toda a categoria de brancos esteja crescendo nessa mesma proporção.

Essa diferença é importante.

O vinho tinto perdeu espaço?

Durante muito tempo, o vinho tinto teve uma posição muito forte no mercado chinês, especialmente em presentes, encontros de negócios e ocasiões mais formais.

Esse comportamento também está mudando.

Segundo a análise do China Briefing, o crescimento atual está mais concentrado em alguns estilos específicos, como espumantes, brancos frescos e tintos mais leves.

Mas isso não significa que os tintos desapareceram ou deixaram de ser importantes.

Significa apenas que o consumidor chinês parece estar diversificando suas escolhas em um mercado que já não cresce como antes.

A China deixou de gostar de vinho?

Os números não permitem chegar a essa conclusão.

O que podemos afirmar é que o consumo caiu e o mercado de importados ficou significativamente menor.

Ao mesmo tempo, dentro desse mercado menor, alguns estilos apresentam resultados diferentes.

Os espumantes cresceram.

Os vinhos da Nova Zelândia avançaram com força.

E há sinais de maior interesse por estilos mais leves e frescos.

Por isso, talvez a história mais interessante não seja simplesmente:

“A China está bebendo menos vinho.”

Existe uma segunda parte.

A China está bebendo menos vinho, mas o tipo de vinho que encontra espaço por lá também está mudando.

E acompanhar essa transformação ajuda a entender uma coisa importante sobre o mundo do vinho:

o gosto das pessoas não fica parado.

Ele muda junto com a cultura, os hábitos e a forma como cada geração escolhe o que colocar na taça.

Fontes

Organização Internacional da Vinha e do Vinho, OIV State of the World Wine Sector in 2025, publicado em 12 de maio de 2026.

China Briefing China’s Wine Market in 2026: What the Data Show for European and International Producers, publicado em 29 de setembro de 2026.

Os dados de importação de 2026 apresentados pelo China Briefing têm como base informações da Administração Geral das Alfândegas da China e fontes especializadas do setor.

Leandro Ribeiro, fundador da Sobre Vinhos

Leandro Ribeiro

Fundador da Sobre Vinhos

Às vezes, eu só queria comprar um vinho. Escolher bem, abrir a garrafa e aproveitar. Mas, para quem estava começando, tudo parecia mais difícil do que precisava ser. Muitos termos, muitas explicações e, em alguns casos, clubes ou assinaturas. E eu pensava: “Eu só quero tomar um vinho.” Foi dessa dificuldade que nasceu a Sobre Vinhos. Um lugar para aprender, descobrir novos rótulos e escolher melhor, de forma simples e leve. Sem complicação. Sem transformar cada taça em uma aula. Hoje, sigo aprendendo, conhecendo produtores, regiões e histórias. E compartilhando aquilo que eu gostaria de ter encontrado quando comecei.