Fileira de garrafas de vinho tinto numa prateleira de loja, vistas em perspectiva. Os rótulos legíveis trazem Malbec 2021 da Argentina, Châteauneuf-du-Pape 2021, Rioja Reserva 2019 da Espanha e Barolo 2020 da Itália. Ao fundo, o interior da loja aparece desfocado.

Vinhos importados ganham força no Brasil

Importações cresceram 12,8% em valor no primeiro semestre de 2026. E não foi apenas o dinheiro movimentado que aumentou: o volume de vinho importado também avançou.

Leandro Ribeiro

· 4 min de leitura

Importações cresceram 12,8% em valor no primeiro semestre de 2026. E não foi apenas o dinheiro movimentado que aumentou: o volume de vinho importado também avançou.

Quem costuma passar pela seção de vinhos de um supermercado ou entrar em uma loja especializada já percebeu a quantidade de países disputando espaço nas prateleiras brasileiras.

Chile, Argentina, Portugal, Itália, França, Espanha e muitos outros produtores fazem parte desse mercado.

Agora, os números ajudam a mostrar o tamanho desse movimento.

Entre janeiro e junho de 2026, o Brasil importou aproximadamente US$ 272,9 milhões em vinhos.

No mesmo período de 2025, haviam sido US$ 241,9 milhões.

Isso representa um crescimento de 12,77% em valor em apenas um ano.

Mas existe outro dado importante nessa história.

Não cresceu apenas o valor

Olhar somente para o dinheiro movimentado poderia levar a uma conclusão precipitada.

Afinal, uma alta no valor das importações pode acontecer mesmo sem um aumento equivalente na quantidade de vinho que entra no país.

Por isso, o dado de volume é importante.

No primeiro semestre de 2026, o volume importado também cresceu, cerca de 9,1% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Ou seja, o Brasil não apenas gastou mais com vinhos estrangeiros. A quantidade de vinho importado também aumentou.

Ainda assim, é importante fazer uma diferença.

Esses são dados de importação.

Eles mostram quanto vinho entrou no Brasil e quanto foi movimentado nessas operações. Não significam, sozinhos, que cada brasileiro esteja bebendo mais vinho importado ou que os consumidores estejam abandonando os vinhos nacionais.

São coisas diferentes.

E os espumantes?

Os espumantes também apresentaram crescimento.

No primeiro semestre de 2025, as importações da categoria somaram aproximadamente US$ 18,8 milhões.

No mesmo período de 2026, chegaram a US$ 20,1 milhões.

Uma alta de 6,77% em valor.

É mais um dado que mostra o movimento das bebidas estrangeiras no mercado brasileiro.

A Itália é um bom exemplo

Entre os países que vendem vinho para o Brasil, a Itália teve participação importante nesse período.

Os vinhos italianos responderam por pouco mais de US$ 23 milhões das importações brasileiras no primeiro semestre de 2026.

Isso representou cerca de 8,43% do total em valor, colocando a Itália na quinta posição entre os principais fornecedores do Brasil nesse critério.

Outro levantamento da Agência ICE aponta que o valor das exportações de vinhos italianos para o Brasil cresceu 14,3% no primeiro semestre de 2026.

O preço médio FOB do vinho italiano chegou a US$ 4,81 por litro.

Isso não significa que uma garrafa italiana custe esse valor para o consumidor brasileiro.

O preço FOB é uma referência utilizada no comércio exterior e não inclui todos os custos, impostos e margens que fazem parte do preço encontrado na prateleira.

O que esses números dizem sobre o Brasil?

Eles mostram que existe um movimento real de crescimento dos vinhos importados no país.

O avanço aconteceu tanto em valor quanto em volume.

Também ajuda a entender por que o mercado brasileiro continua atraindo a atenção de produtores estrangeiros.

A própria Agência ICE, responsável pela promoção de empresas italianas no exterior, realizou em setembro de 2026 uma nova edição do I Love Italian Wines no Brasil, passando por Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba.

São movimentos que mostram o interesse de produtores internacionais pelo mercado brasileiro.

E o vinho brasileiro?

Aqui existe um cuidado importante.

O crescimento das importações não significa que o vinho brasileiro esteja perdendo espaço na mesma proporção.

Para chegar a essa conclusão seria necessário analisar também produção nacional, vendas, participação de mercado e comportamento de consumo no mesmo período.

Os números apresentados nesta matéria tratam principalmente das importações.

Por isso, dizer simplesmente que “o brasileiro está trocando vinho nacional por importado” seria ir além do que os dados mostram.

E não é isso que queremos fazer.

Então, o que podemos afirmar?

O cenário confirmado é este:

No primeiro semestre de 2026, o Brasil importou US$ 272,9 milhões em vinhos, crescimento de aproximadamente 12,8% em valor em relação ao mesmo período de 2025.

O volume importado também avançou, cerca de 9,1%.

Os espumantes tiveram crescimento de 6,77% em valor.

E países produtores continuam olhando com atenção para o mercado brasileiro.

Para quem gosta de vinho, é um movimento interessante de acompanhar.

Porque o Brasil está cada vez mais conectado a diferentes regiões produtoras do mundo.

E quanto mais a gente conhece essas regiões, uvas e estilos, mais percebe uma das coisas mais interessantes sobre vinho:

sempre existe algo novo para descobrir.

Fontes

Dados de comércio exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), por meio do Comex Stat.

Estudo de Mercado O Vinho no Brasil, da Agência ICE, Agência para a Promoção no Exterior e a Internacionalização das Empresas Italianas.

Dados divulgados em setembro de 2026 e referentes ao primeiro semestre de 2026.

Leandro Ribeiro, fundador da Sobre Vinhos

Leandro Ribeiro

Fundador da Sobre Vinhos

Às vezes, eu só queria comprar um vinho. Escolher bem, abrir a garrafa e aproveitar. Mas, para quem estava começando, tudo parecia mais difícil do que precisava ser. Muitos termos, muitas explicações e, em alguns casos, clubes ou assinaturas. E eu pensava: “Eu só quero tomar um vinho.” Foi dessa dificuldade que nasceu a Sobre Vinhos. Um lugar para aprender, descobrir novos rótulos e escolher melhor, de forma simples e leve. Sem complicação. Sem transformar cada taça em uma aula. Hoje, sigo aprendendo, conhecendo produtores, regiões e histórias. E compartilhando aquilo que eu gostaria de ter encontrado quando comecei.