Taças com brancos, rosés e tintos alinhadas sobre a mesa, com frutas e um caderno de anotações

Como descobrir quais vinhos você gosta

Observe uvas, estilos, aromas e sensações e comece a construir seu próprio mapa de sabores.

Leandro Ribeiro

· 5 min de leitura

Observe uvas, estilos, aromas e sensações e comece a construir seu próprio mapa de sabores.

Muita gente começa no vinho tentando descobrir:

“Qual é o melhor vinho?”

Mas existe uma pergunta muito mais útil:

“Que tipo de vinho eu gosto?”

Essa resposta não aparece de uma vez.

Ela vai sendo construída aos poucos, conforme você prova vinhos diferentes e começa a perceber o que se repete nas garrafas que mais agradam você.

Não existe gosto certo

Você pode preferir:

vinhos leves ou encorpados,
mais frescos ou mais macios,
frutados ou mais discretos,
brancos, tintos, rosés ou espumantes.

Não existe uma preferência mais correta ou sofisticada.

Seu gosto é pessoal.

E ele pode mudar com o tempo.

Por isso, uma nota alta, um preço elevado ou a fama de determinada garrafa não garantem que aquele vinho será o melhor para você.

Fileira de taças do branco ao tinto sobre mesa de madeira, com tigelas de frutas e um caderno aberto

Comece comparando uvas

Uma maneira simples de aprender é provar variedades diferentes.

Por exemplo:

Malbec
Merlot
Cabernet Sauvignon
Pinot Noir

Depois compare.

Qual pareceu mais leve?

Qual apresentou mais estrutura?

Qual deixou maior sensação de secura na boca?

Qual pareceu mais frutado?

Você não precisa decorar características.

Apenas comece a perceber diferenças.

Compare também estilos

A uva é apenas uma das pistas.

A mesma variedade pode resultar em vinhos bastante diferentes dependendo da região, do clima e da forma de produção.

Por isso, compare também:

leve x encorpado

jovem x amadurecido em madeira

mais fresco x mais maduro

seco x com alguma doçura

Talvez você descubra que sua preferência não é exatamente por uma uva.

É por um estilo.

Observe o corpo

Corpo é a sensação de peso do vinho na boca.

Alguns parecem mais leves e delicados.

Outros passam uma sensação mais densa e intensa.

Faça uma pergunta simples:

Eu gosto mais de vinhos leves, médios ou encorpados?

Essa informação já ajuda bastante nas próximas escolhas.

Observe a acidez

A acidez traz sensação de frescor e normalmente aumenta a salivação.

Ao beber, perceba:

o vinho deixou sua boca mais fresca?

essa sensação foi agradável?

Algumas pessoas gostam bastante de vinhos vibrantes e frescos.

Outras preferem uma sensação mais macia.

Não existe resposta certa.

Observe os taninos

Os taninos aparecem principalmente nos tintos.

Eles podem provocar sensação de:

secura,
aderência
ou leve aspereza na boca.

Você pode descobrir que gosta de tintos com taninos mais firmes.

Ou perceber que prefere vinhos mais macios.

Essa é uma das pistas mais úteis para entender seu gosto por tintos.

Preste atenção nos aromas

Você não precisa identificar dezenas de aromas.

Comece de forma ampla.

O vinho lembra mais:

frutas vermelhas?

frutas escuras?

frutas cítricas?

flores?

ervas?

especiarias?

baunilha ou madeira?

Depois faça a pergunta mais importante:

Eu gosto desse perfil?

Não tente acertar o aroma

Duas pessoas podem sentir coisas diferentes no mesmo vinho.

Isso é normal.

Nossas referências também vêm das nossas próprias memórias.

Uma pessoa pode lembrar de cereja.

Outra, de morango.

O objetivo não é encontrar a resposta correta.

É perceber o que aquele vinho lembra para você e se isso agrada.

Registre os vinhos que provar

Você não precisa montar uma ficha complicada.

Uma anotação simples já ajuda muito.

Registre:

Nome do vinho
Uva
País ou região
Como ele parecia na boca
O que mais chamou sua atenção
Compraria novamente?

Depois de algumas garrafas, os padrões começam a aparecer.

Dê notas simples

Uma escala pessoal pode ajudar.

Por exemplo:

1: Não gostei

2: Não compraria novamente

3: Gostei

4: Gostei bastante

5: Quero beber novamente

A nota não precisa avaliar se o vinho é tecnicamente excelente.

Ela serve para registrar algo muito mais importante nesse momento:

o quanto ele agradou você.

Monte seu mapa de sabores

Depois de algumas experiências, revise suas anotações.

Talvez você perceba algo como:

Prefiro tintos frutados.

Gosto de corpo médio.

Prefiro taninos mais macios.

Gosto de boa acidez.

Não gosto de muita madeira.

Isso já é seu mapa de sabores começando a aparecer.

Um mapa simples pode ter quatro pontos

Pense em:

Corpo

leve → encorpado

Acidez

mais baixa → mais alta

Taninos

macios → intensos

Perfil aromático

mais fresco e frutado → mais maduro, especiado ou amadeirado

Você não precisa escolher apenas um lado.

A ideia é perceber onde suas preferências aparecem com mais frequência.

Use suas descobertas nas próximas escolhas

Com o tempo, você começa a pedir vinho de outra maneira.

Em vez de:

“Quero um vinho bom.”

você pode dizer:

“Gosto de tintos frutados, de corpo médio e com taninos mais macios.”

Ou:

“Prefiro brancos frescos, com boa acidez e pouca influência de madeira.”

Quanto melhor você conhece seu gosto, mais fácil fica escolher.

E se meu gosto mudar?

Provavelmente vai mudar.

Conforme você experimenta novos estilos, algumas preferências podem se transformar.

Um vinho que parecia intenso demais no começo pode fazer mais sentido depois.

Outro estilo que você adorava pode deixar de chamar tanta atenção.

Seu mapa não precisa ser definitivo.

Ele acompanha sua experiência.

Sobre Vinhos explica

Descobrir quais vinhos você gosta não exige decorar centenas de uvas ou regiões.

Observe principalmente:

o que agradou,
o que não agradou,
como o vinho parecia na boca
e quais características aparecem nos seus favoritos.

Com o tempo, essas informações começam a formar um padrão.

E esse padrão ajuda você a escolher melhor.

Na prática

Na próxima vez que provar um vinho, responda:

1. Gostei?

2. Pareceu leve, médio ou encorpado?

3. A acidez me agradou?

4. Os taninos pareceram macios ou intensos?

5. Eu beberia novamente?

Anote as respostas.

Depois de algumas garrafas, compare.

Você provavelmente começará a perceber algo que nenhuma lista de “melhores vinhos” consegue decidir por você:

o seu próprio gosto.

Leandro Ribeiro, fundador da Sobre Vinhos

Leandro Ribeiro

Fundador da Sobre Vinhos

Às vezes, eu só queria comprar um vinho. Escolher bem, abrir a garrafa e aproveitar. Mas, para quem estava começando, tudo parecia mais difícil do que precisava ser. Muitos termos, muitas explicações e, em alguns casos, clubes ou assinaturas. E eu pensava: “Eu só quero tomar um vinho.” Foi dessa dificuldade que nasceu a Sobre Vinhos. Um lugar para aprender, descobrir novos rótulos e escolher melhor, de forma simples e leve. Sem complicação. Sem transformar cada taça em uma aula. Hoje, sigo aprendendo, conhecendo produtores, regiões e histórias. E compartilhando aquilo que eu gostaria de ter encontrado quando comecei.