Tronco retorcido de videira velha sobre solo pedregoso, com o vinhedo ao fundo

Entenda como lugar, clima, solo e decisões humanas ajudam a construir a identidade de um vinho.

Leandro Ribeiro

· 4 min de leitura

Entenda como lugar, clima, solo e decisões humanas ajudam a construir a identidade de um vinho.

Terroir é uma das palavras mais usadas no mundo do vinho.

E também uma das que mais parecem complicadas.

Mas a ideia é simples:

terroir é o conjunto de características de um lugar, naturais e humanas, que ajudam a influenciar o vinho produzido ali.

Isso envolve fatores como:

clima,
solo,
altitude,
exposição ao sol,
região
e a forma como o ser humano trabalha o vinhedo.

É uma das razões pelas quais a mesma uva pode produzir vinhos muito diferentes em lugares diferentes.

A região importa

Tudo começa pelo lugar onde a videira cresce.

Uma região pode ser:

mais quente,
mais fria,
mais seca,
mais úmida,
mais alta
ou próxima do mar.

Essas condições influenciam o desenvolvimento das uvas.

Por isso, conhecer apenas a variedade não conta toda a história.

Um Cabernet Sauvignon cultivado em uma região pode apresentar características diferentes de outro Cabernet Sauvignon produzido a milhares de quilômetros dali.

Homem de chapéu examinando um cacho ainda preso à videira

O clima muda a forma como a uva amadurece

Temperatura, chuva e quantidade de sol têm grande influência no vinhedo.

Em regiões mais quentes, as uvas podem amadurecer mais rapidamente e desenvolver características de frutas mais maduras.

Em lugares mais frios, o amadurecimento tende a ser mais lento e a acidez pode ser preservada por mais tempo.

Isso pode influenciar:

fruta,
frescor,
corpo,
acidez
e álcool.

Mas essas são tendências.

O resultado final depende sempre do conjunto.

Casa de pedra cercada de vinhedos ao pôr do sol

E o solo?

O solo também faz parte do terroir.

Existem vinhedos plantados sobre:

argila,
areia,
calcário,
cascalho,
granito

e muitos outros tipos de solo.

Sua importância está principalmente na forma como ele influencia:

drenagem,
retenção de água,
temperatura
e desenvolvimento das raízes.

Isso afeta a maneira como a videira cresce.

Mas existe um cuidado importante:

o vinho não simplesmente absorve o “gosto da pedra” do solo.

A relação é muito mais complexa e indireta.

Quatro cenas de vinhedo lado a lado: encosta sobre o rio, mãos segurando terra, cacho maduro e casa de pedra

A altitude também pode fazer diferença

Vinhedos em maiores altitudes podem viver condições diferentes daqueles próximos ao nível do mar.

Em alguns lugares, há dias bastante ensolarados e noites mais frias.

Essa diferença de temperatura pode ajudar a uva a amadurecer enquanto preserva acidez e frescor.

Por isso, altitude é um fator importante em várias regiões produtoras.

Vinhedos em terraços descendo até um rio, ao pôr do sol

E a posição do vinhedo?

Nem todo vinhedo recebe a mesma quantidade de sol.

A posição da encosta e sua orientação podem mudar:

a quantidade de luz,
a temperatura
e a velocidade de amadurecimento das uvas.

Isso significa que até vinhedos relativamente próximos podem apresentar condições diferentes.

O ser humano também faz parte?

Sim.

Terroir não é apenas natureza.

O produtor toma decisões durante todo o ciclo da videira.

Por exemplo:

quando podar,
como conduzir as plantas,
como controlar a produção,
quando colher
e como adaptar o trabalho às condições daquele ano.

Essas escolhas também ajudam a definir a expressão do vinho.

Cultura e tradição também contam

Em algumas regiões, famílias produzem vinho há muitas gerações.

Ao longo do tempo, elas aprendem:

quais uvas funcionam melhor,
como trabalhar aquele clima,
como lidar com o solo
e quando colher.

Esse conhecimento acumulado faz parte da identidade de muitas regiões.

Por isso, terroir também envolve:

experiência, cultura e tradição.

Por que a mesma uva pode produzir vinhos diferentes?

Imagine dois Malbecs.

Um vem de uma região quente.

Outro de uma região mais alta e fresca.

Mesmo sendo feitos com a mesma variedade, eles podem apresentar diferenças em:

fruta,
acidez,
corpo,
taninos
e álcool.

Depois ainda entram as escolhas do produtor.

A uva é a mesma.

O lugar é diferente.

E isso pode mudar bastante o vinho.

Um exemplo simples

A Malbec é muito associada à Argentina.

Mas mesmo dentro do próprio país existem regiões e altitudes diferentes.

Em uma área mais quente, o vinho pode mostrar fruta mais madura e mais corpo.

Em uma região mais fria ou elevada, pode apresentar maior frescor e acidez.

Isso ajuda a entender uma das ideias centrais do terroir:

a mesma uva pode se expressar de maneiras diferentes dependendo de onde cresce.

Terroir significa qualidade?

Não necessariamente.

Terroir fala principalmente sobre identidade e origem.

Uma região não é automaticamente melhor apenas porque possui um terroir famoso.

Lugares diferentes podem produzir estilos diferentes e excelentes.

O interessante é entender como cada ambiente influencia aquilo que chega à taça.

Sobre Vinhos explica

De forma simples:

terroir é a combinação entre o lugar e a maneira como o ser humano trabalha naquele ambiente.

Ele pode envolver:

clima,
solo,
altitude,
sol,
região,
cultura
e tradição.

É por isso que conhecer apenas a uva não conta toda a história do vinho.

Na prática

Uma forma simples de perceber essas diferenças é comparar a mesma uva produzida em lugares distintos.

Por exemplo:

dois Malbecs de regiões diferentes

ou

dois Sauvignon Blanc de países diferentes.

Observe:

a fruta,
o corpo,
a acidez
e os aromas.

Aos poucos, você começa a perceber que o vinho não fala apenas sobre a uva.

Ele também pode contar de onde ela veio.

Leandro Ribeiro, fundador da Sobre Vinhos

Leandro Ribeiro

Fundador da Sobre Vinhos

Às vezes, eu só queria comprar um vinho. Escolher bem, abrir a garrafa e aproveitar. Mas, para quem estava começando, tudo parecia mais difícil do que precisava ser. Muitos termos, muitas explicações e, em alguns casos, clubes ou assinaturas. E eu pensava: “Eu só quero tomar um vinho.” Foi dessa dificuldade que nasceu a Sobre Vinhos. Um lugar para aprender, descobrir novos rótulos e escolher melhor, de forma simples e leve. Sem complicação. Sem transformar cada taça em uma aula. Hoje, sigo aprendendo, conhecendo produtores, regiões e histórias. E compartilhando aquilo que eu gostaria de ter encontrado quando comecei.