
Vinícola Brasília: a história de dez famílias que estão criando vinho no coração do Cerrado
Quando alguém fala em vinho brasileiro, é natural pensar primeiro no Rio Grande do Sul.
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Quando alguém fala em vinho brasileiro, é natural pensar primeiro no Rio Grande do Sul.
Serra Gaúcha, Vale dos Vinhedos, Campanha Gaúcha...
Mas o mapa do vinho brasileiro está mudando.
Nos últimos anos, novas regiões começaram a mostrar que a videira pode encontrar caminhos muito diferentes pelo país. E uma das histórias mais recentes, e talvez uma das mais inesperadas, está acontecendo em Brasília.
Sim, Brasília produz vinho.
No Cerrado, em uma região historicamente muito mais ligada à produção de grãos do que à viticultura, dez famílias produtoras se uniram para criar um projeto coletivo.
Nasceu assim a Vinícola Brasília.
A ideia é diferente da imagem tradicional de uma vinícola pertencente a uma única família.
Aqui, diferentes produtores possuem seus próprios vinhedos e também podem desenvolver seus próprios rótulos, mas compartilham uma estrutura de vinificação e participam da construção dos vinhos da marca coletiva Vinícola Brasília.
E talvez seja justamente isso que torne essa história tão interessante.
Antes das videiras, Brasília já era uma potência agrícola
Para entender por que o vinho apareceu ali, primeiro precisamos olhar para o campo.
Brasília é conhecida pela arquitetura, pela política e pelo urbanismo.
Mas existe um outro Distrito Federal, muito menos conhecido por quem vive fora da região.
É o Distrito Federal agrícola.
A área do PAD-DF, Programa de Assentamento Dirigido do Distrito Federal, tornou-se importante para a produção de grãos e recebeu, ao longo das décadas, famílias com forte ligação com a agricultura.
Soja e milho, por exemplo, já faziam parte da paisagem muito antes dos vinhedos.
O vinho chegou depois.
E chegou de maneira relativamente rápida.
Um estudo acadêmico publicado em 2024 identifica 2018 como o grande ponto de impulso da atual viticultura de vinhos finos no PAD-DF. Entre 2018 e 2019, um grupo de dez produtores já havia se organizado em um consórcio que posteriormente estaria à frente da Vinícola Brasília.
Ou seja:
a história moderna do vinho brasiliense ainda é muito jovem.
Por que dez produtores decidiram trabalhar juntos?
Imagine que você plante alguns hectares de uvas.
Produzir boas uvas já exige investimento, conhecimento e tempo.
Mas colher a fruta é apenas metade do caminho.
Depois vêm:
equipamentos de vinificação; tanques; controle de temperatura; estrutura para armazenamento; barricas; laboratório; equipe técnica; espaço para engarrafamento; controle de qualidade.
Construir uma estrutura completa para cada pequeno produtor seria um investimento enorme.
A solução encontrada foi unir forças.
Os produtores poderiam manter seus projetos e identidades individuais, enquanto uma estrutura maior permitiria elaborar tanto os vinhos das marcas próprias quanto os rótulos coletivos da Vinícola Brasília.
O estudo publicado pela revista científica Interações registrou que, em 2024, pelo menos 60% das uvas dos dez produtores eram destinadas aos vinhos da Vinícola Brasília.
É uma ideia simples de entender: • • • • • • • • •
cada produtor continua tendo sua história, mas parte dessa história também é construída em conjunto.
Quem são as dez famílias produtoras?
Em fontes recentes de 2026, o projeto é apresentado como a união dos seguintes produtores:
Alto Cerrado; Boa Vista da Mata; Casa Vitor; Ercoara; Horus; Marchese; Miro; Monte Alvor; Oma Sena; Villa Triacca.
Cada projeto possui características próprias.
Alguns já desenvolveram diferentes linhas de vinhos. Outros possuem projetos de enoturismo ou propriedades que também podem ser visitadas.
A Villa Triacca, por exemplo, que já apresentamos em outro conteúdo da Sobre Vinhos, reúne hotel, vinhedos e experiências ligadas ao vinho.
A Vinícola Brasília não substitui esses projetos.
Ela funciona como um grande ponto de encontro entre eles.
“Brasília é blend do Brasil”
A própria Vinícola Brasília utiliza uma frase que ajuda a entender o conceito:
Brasília é blend do Brasil.
No mundo do vinho, chamamos de blend um vinho produzido com a combinação de diferentes uvas, parcelas ou componentes.
Mas aqui a expressão ganha um segundo significado.
O projeto reúne diferentes famílias, histórias e vinhedos em torno de uma mesma região.
É quase como se o próprio empreendimento fosse um blend.
E essa mistura continua dentro da vinificação. • • • • • • • • • •
As uvas podem vir de diferentes vinhedos dos produtores associados, permitindo trabalhar características distintas na construção dos vinhos. O site oficial define a proposta justamente como o compartilhamento de uma estrutura entre dez vinhedos.
Mas como é possível produzir vinho em Brasília?
Essa talvez seja a pergunta mais interessante de todas.
O clima do Centro-Oeste apresenta uma dificuldade evidente para a viticultura tradicional.
O verão é justamente o período de maior concentração de chuvas.
Para determinadas uvas destinadas à produção de vinhos finos, colher em um período muito chuvoso pode trazer dificuldades.
A solução veio por meio de uma técnica que mudou a viticultura em diferentes regiões do Brasil:
a dupla poda.
O que é dupla poda?
Não precisa complicar.
Na prática, o manejo altera o ciclo da videira.
Em vez de conduzir a planta para que sua maturação e colheita aconteçam durante o período mais chuvoso, o produtor trabalha com dois ciclos diferentes.
Um é voltado à formação.
O outro, à produção.
Com isso, a maturação das uvas é deslocada para os meses de outono e inverno.
No Distrito Federal, a vindima pode acontecer aproximadamente entre junho e agosto.
É um período normalmente marcado por menor quantidade de chuva, dias ensolarados e noites mais frias.
É daí que surge o nome:
vinhos de colheita de inverno.
O estudo sobre o Cerrado de altitude aponta justamente esse deslocamento da colheita para o inverno como uma das bases da nova viticultura brasiliense.
Então vinho de inverno é feito com uva congelada?
Não.
Essa confusão é fácil de acontecer por causa do nome.
“Vinho de inverno” não significa que a uva seja congelada ou cultivada em condições de frio extremo.
Estamos falando principalmente do momento da colheita.
O ciclo da videira é conduzido para que a fruta amadureça durante uma época mais seca e favorável.
Essa diferença é fundamental.
O Cerrado de altitude

Os vinhedos dessa nova fronteira estão inseridos em regiões de clima tropical de altitude.
No estudo realizado sobre Brasília, a nova viticultura é relacionada a áreas próximas ou superiores a 1.000 metros de altitude.
É a combinação entre:
altitude + estação seca + noites mais frias + técnica de dupla poda
que abriu espaço para essa experiência vitivinícola.
Isso não significa que Brasília tenha descoberto uma fórmula definitiva.
Pelo contrário.
Os produtores ainda estão aprendendo safra após safra quais variedades, parcelas e estilos conseguem expressar melhor essas condições.
E isso torna o momento atual especialmente interessante.
A Syrah ganhou destaque
Entre as uvas plantadas pelos produtores do projeto, uma delas apareceu com bastante força:
Syrah.
No levantamento referente à safra de 2024, ela representava aproximadamente 39% da área plantada pelos dez produtores.
Em seguida aparecia a Sauvignon Blanc, com cerca de 18%.
Outras variedades encontradas nos projetos incluem:
Cabernet Franc; Malbec; Marselan; Tempranillo; Sangiovese; Cabernet Sauvignon; Viognier; Alvarinho.
Isso nos mostra algo importante.
Brasília ainda não possui apenas “uma uva”.
A região está experimentando.
Talvez, daqui a algumas décadas, algumas variedades se tornem referências claras do Cerrado de altitude.
Hoje, estamos acompanhando esse processo acontecer.
O projeto começou em 2018. A vinícola física veio depois.
Aqui existe uma diferença importante.
O próprio site da Vinícola Brasília apresenta 2018 como o ano de fundação do projeto.
Mas a grande estrutura de elaboração e enoturismo foi inaugurada apenas em abril de 2024.
Ou seja:
2018 → início do projeto e consolidação dos vinhedos
2024 → inauguração da estrutura da Vinícola Brasília
Essa distinção ajuda a entender por que encontramos duas datas diferentes quando pesquisamos sobre o empreendimento. • • • • • • • •
E a estrutura não é pequena
Para ter uma ideia da dimensão que o projeto ganhou, a Embrapa informou em 2025 que o conjunto dos produtores ligados à Vinícola Brasília chegava a aproximadamente 60 hectares cultivados, com produção média próxima de 500 toneladas de uvas.
Naquele momento, a capacidade de vinificação da estrutura era informada em cerca de 400 mil litros por ano.
Esses números devem ser entendidos como um retrato daquele momento, porque os vinhedos continuam evoluindo e novos plantios podem alterar a escala.
Mas já mostram que não estamos falando apenas de um pequeno projeto experimental.
Existe uma estrutura produtiva relevante sendo formada.
Uma vinícola que decidiu parecer Brasília
Outro detalhe interessante está na identidade do lugar.
Muitas vinícolas pelo mundo aproveitam referências de castelos europeus, arquitetura italiana ou propriedades rurais tradicionais.
A Vinícola Brasília escolheu outro caminho.
Sua comunicação procura dialogar com a própria capital.
A Embrapa destaca que arquitetura, decoração e identidade visual utilizam referências brasilienses, inclusive elementos inspirados em ícones da cidade.
E essa ideia continua nos nomes dos vinhos.
Cobogó.
Pilotis.
Croqui.
Alvorada.
Monumental.
São palavras que fazem sentido dentro do universo de Brasília.
Conhecendo os principais vinhos da Vinícola Brasília
O portfólio continua crescendo.
Hoje já existem brancos, rosés, tintos, blends, varietais e espumantes produzidos sob a marca coletiva.
Algumas linhas ajudam bastante a entender o conceito.
Cobogó Sauvignon Blanc
O Cobogó é um Sauvignon Blanc de colheita de inverno.
É a expressão branca mais conhecida da linha principal.
A escolha da Sauvignon Blanc também é interessante porque a variedade aparece entre as mais plantadas nos vinhedos dos produtores associados.
No portfólio atual, a Vinícola Brasília mantém o Cobogó Sauvignon Blanc 2024.
É uma maneira de perceber que o Cerrado não está tentando produzir apenas tintos potentes.
Brancos frescos também fazem parte dessa construção.
Pilotis Rosé

O Pilotis representa o lado mais leve da coleção.
A versão atual apresentada pela vinícola é um rosé produzido com Syrah e Tempranillo.
O nome faz referência a mais um elemento muito presente na linguagem arquitetônica de Brasília.
Para quem está começando, é também um bom exemplo de como uma mesma região pode oferecer estilos bastante diferentes.
Syrah não precisa virar apenas um tinto intenso.
Ela também pode participar de um rosé fresco.
Croqui: os blends entram em cena
O nome Croqui combina perfeitamente com a proposta.
Um croqui é um esboço, uma construção feita por partes.
E nessa linha aparecem justamente diferentes combinações de uvas.
O Croqui Malbec & Syrah 2022, por exemplo, utiliza:
70% Malbec + 30% Syrah.
O vinho amadurece em inox com aduelas de carvalho francês e americano durante seis meses.
O portfólio atual também possui uma versão de Cabernet Franc e Syrah.
É uma linha particularmente interessante para compreender a ideia do blend.
O produtor não precisa escolher apenas uma uva.
Pode combinar características diferentes para construir o vinho desejado.
Alvorada: diferentes tintos varietais
A linha Alvorada atualmente apresenta diferentes tintos.
No portfólio estão:
Alvorada Syrah; Alvorada Malbec 2023; Alvorada Barbera 2024.
Isso também mostra como a região continua experimentando variedades.
A Barbera, por exemplo, amplia ainda mais o repertório de uvas testadas dentro do projeto.
Monumental: um dos grandes símbolos da casa
O Monumental ocupa uma posição superior dentro da linha de tintos.
E foi justamente um vinho dessa família que conquistou um dos reconhecimentos mais relevantes até agora.
No Vinalies Internationales 2026, realizado na França, o Monumental Tinto 2023, da Vinícola Brasília, recebeu Grande Medalha de Ouro. • • •
Na mesma competição, o Alvorada Malbec 2023 e o Alvorada Syrah 2022 receberam medalhas de ouro.
Para uma região vitivinícola tão jovem, são resultados que chamam atenção.
Não significam que Brasília já tenha alcançado o nível de regiões com décadas ou séculos de experiência.
Mas mostram que os vinhos já começaram a conquistar reconhecimento em avaliações importantes.
Existem também espumantes
O portfólio atual da marca inclui Espumante Rosé Brut e Espumante Rosé Nature.
Essa diversificação importa.
Uma região vitivinícola interessante dificilmente precisa se limitar a apenas um estilo.
Tintos podem ser protagonistas hoje.
Mas brancos, rosés e espumantes ajudam a revelar outras possibilidades daquele território.
Brasília ganhou até vinho comemorativo
Em 2026, quando Brasília completou 66 anos, a vinícola lançou um Tempranillo criado para homenagear a capital.
O Tempranillo Brasília 66 anos também aparece atualmente no portfólio oficial da casa.
É outro exemplo da intenção de aproximar o vinho da identidade da cidade.
E os vinhos das famílias associadas?
Essa parte pode causar alguma confusão no início.
A Vinícola Brasília possui seus próprios rótulos.
Mas os produtores associados também possuem vinhos próprios.
Por isso, no mesmo ecossistema encontramos marcas como:
Alto Cerrado; Casa Vitor; • •
Ercoara; Horus; Marchese; Miro; Oma Sena; Villa Triacca; além dos demais integrantes do projeto.
A loja oficial da Vinícola Brasília comercializa diversos desses rótulos ao lado dos vinhos da marca coletiva.
Para quem gosta de vinho, isso abre uma experiência interessante:
provar diferentes produtores de uma mesma região e perceber como cada um interpreta o Cerrado.
Então todos os vinhos são iguais?

Não.
E esse é justamente um dos pontos mais interessantes.
Compartilhar infraestrutura não significa produzir o mesmo vinho.
Cada produtor possui:
vinhedos próprios; variedades diferentes; escolhas de manejo; projetos particulares; estilos de vinho diferentes.
Enquanto isso, a Vinícola Brasília também constrói sua identidade coletiva utilizando uvas dos produtores associados.
É possível encontrar duas leituras do mesmo território:
o vinho individual de cada projeto
e o vinho coletivo da Vinícola Brasília.
O vinho também virou turismo
Uma nova região de vinho não se constrói apenas colocando garrafas no mercado. • • • • • • •
• • • • •
As pessoas precisam conhecer o lugar.
Ver os vinhedos.
Entender o clima.
Descobrir como o vinho é feito.
E provar.
A Vinícola Brasília desenvolveu sua estrutura também pensando em enoturismo.
Segundo a programação oficial, são oferecidas experiências como:
visitas guiadas à vinícola; visitas aos vinhedos; degustações; eventos culturais; cursos relacionados ao vinho.
A programação varia, por isso é importante verificar previamente as datas e formatos disponíveis.
Vale a visita para quem entende pouco de vinho?
Sim.
Talvez seja justamente para quem está começando que visitar uma vinícola seja mais interessante.
Termos que parecem complicados começam a ficar simples quando você vê tudo acontecendo.
O que é fermentação?
Para que serve um tanque?
O que acontece em uma barrica?
Por que duas uvas são misturadas?
Como é um vinhedo?
Por que a colheita acontece no inverno?
Quando o processo deixa de ser apenas teoria, o vinho fica muito mais fácil de entender. • • • • •
E para quem já conhece vinho?
A experiência ganha outra dimensão.
Você pode comparar Brasília com regiões mais tradicionais.
Observar como a Syrah se comporta.
Provar Sauvignon Blanc.
Comparar Malbec, Cabernet Franc, Tempranillo e outras variedades.
E acompanhar uma região que ainda está procurando suas grandes respostas.
Talvez essa seja justamente uma das melhores partes.
Em Bordeaux, Rioja ou Toscana, séculos de história já ajudaram a definir variedades, estilos e tradições.
Em Brasília, boa parte dessa história está sendo construída agora.
Brasília já pode ser considerada uma região vitivinícola?
Existe uma produção organizada e crescente, pesquisa acadêmica, enoturismo e reconhecimento de vinhos.
Um estudo científico publicado em 2024 já trata Brasília como parte de uma nova fronteira vitivinícola do Cerrado de altitude.
Mas também é importante não acelerar a história.
Estamos falando de uma região muito jovem.
Ainda existem variedades sendo testadas.
Novos vinhedos estão entrando em produção.
Os produtores estão acumulando conhecimento safra após safra.
Até mesmo uma futura identidade territorial mais formal ainda depende de estudos e amadurecimento do setor. O trabalho acadêmico sobre a região aponta potencial para avanços nessa direção, mas trata essas perspectivas como algo ainda em desenvolvimento.
E não há problema algum nisso.
Toda grande região produtora teve um começo.
O que torna a Vinícola Brasília especial?
Talvez seja menos a ideia de produzir vinho em um lugar “improvável” e mais a maneira como isso foi feito.
Dez produtores poderiam ter tentado construir dez estruturas completamente independentes.
Em vez disso, escolheram compartilhar parte do caminho.
O resultado foi uma vinícola que consegue reunir:
agricultura + tecnologia + colaboração + vinho + identidade local + turismo.
O projeto começou a se organizar em torno dos novos vinhedos a partir de 2018.
A estrutura foi inaugurada em 2024.
Pouco depois vieram novos rótulos, crescimento, enoturismo e medalhas internacionais.
É uma história que avançou rapidamente.
Sobre Vinhos: por que essa história merece atenção?
A parte mais interessante da Vinícola Brasília talvez não esteja em decidir se seus vinhos são melhores ou piores do que os produzidos no Sul, na Argentina ou na Europa.
Essa comparação seria pequena demais.
O importante é perceber que o Brasil está ampliando seu próprio mapa do vinho.
Hoje temos viticultura tradicional no Sul.
Viticultura tropical no Vale do São Francisco.
Vinhos de altitude.
Vinhos de colheita de inverno.
E agora o Cerrado brasiliense começa a participar dessa diversidade.
Brasília não precisa ser chamada de “nova Toscana”.
Também não precisa tentar parecer Mendoza.
Quanto mais o projeto conseguir mostrar aquilo que existe de próprio no Cerrado, mais interessante ele se torna.
Porque uma região de vinho começa a ganhar força quando deixa de copiar outras regiões e começa a descobrir a própria identidade.
Uma experiência ainda em construção
Talvez seja justamente esse o melhor momento para acompanhar a Vinícola Brasília.
Não estamos contando a história de uma vinícola centenária.
Estamos vendo uma região nascer.
Os produtores ainda estão descobrindo quais uvas entregam os melhores resultados.
Os vinhedos continuam evoluindo.
Novos rótulos aparecem.
Safras são comparadas.
O conhecimento cresce.
E cada nova colheita ajuda a responder uma pergunta:
que tipo de vinho Brasília pode produzir?
Ainda não existe uma resposta definitiva.
E isso torna a história mais interessante, não menos.
Para lembrar
Se você conhecia Brasília apenas pela arquitetura, pelos monumentos e pela política, existe agora outro motivo para olhar para a região:
o vinho.
A Vinícola Brasília nasceu de um projeto coletivo envolvendo dez famílias produtoras.
Seus vinhedos utilizam principalmente o sistema de dupla poda para deslocar a colheita para o período seco do inverno.
Syrah e Sauvignon Blanc ganharam destaque nos primeiros anos, mas diferentes variedades continuam sendo exploradas.
Os produtores mantêm suas próprias identidades e, ao mesmo tempo, participam da construção de uma marca coletiva.
E os primeiros resultados já começaram a aparecer em taças, no enoturismo e em premiações internacionais.
Talvez ainda seja cedo para saber qual será o lugar de Brasília no mapa mundial do vinho.
Mas já não é cedo demais para dizer uma coisa:
o Cerrado entrou na conversa do vinho brasileiro.

Leandro Ribeiro
Fundador da Sobre Vinhos
Às vezes, eu só queria comprar um vinho. Escolher bem, abrir a garrafa e aproveitar. Mas, para quem estava começando, tudo parecia mais difícil do que precisava ser. Muitos termos, muitas explicações e, em alguns casos, clubes ou assinaturas. E eu pensava: “Eu só quero tomar um vinho.” Foi dessa dificuldade que nasceu a Sobre Vinhos. Um lugar para aprender, descobrir novos rótulos e escolher melhor, de forma simples e leve. Sem complicação. Sem transformar cada taça em uma aula. Hoje, sigo aprendendo, conhecendo produtores, regiões e histórias. E compartilhando aquilo que eu gostaria de ter encontrado quando comecei.
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